domingo, 15 de abril de 2012

Dor de Cabeça


Cefaleia

A cefaleia é uma queixa bastante comum. Nos Estados Unidos, cerca de 85 a 90% da população adulta relata a condição durante um período de 12 meses. embora apenas 2.5% busquem os prontos  socorros, a maioria decide fazer auto tratamento com medicamentos vendidos sem receita médica.
De maneira geral, a cefaleia pode ser agrupada em duas divisões principais:

  • benigna ou não benigna
  • primária ou secundária

As cefaleias primárias são o resultado de alguma anormalidade estrutural subjacente ou de processos patológicos, enquanto as secundárias resultam de doenças subjacentes. A origem das cefaleias benignas varia muito.

As causas mais comuns são:

  • Neurológicas (neuralgia trigeminal, neuralgia cervical, dor facial atípica, pós-traumárica, punção pós-Iombar)
  • Musculoesqueléticas (cefaleia por tensão, cefaleia occipital, cefaleia cervicogênica)
  • Vasculares (enxaqueca, cefaleia em salvas, hipertensão)
  • Outros tipos de cefaleia, como a crônica diária e a de rebote, possivelmente estejam relacionados a combinações de causas neurológicas e musculoesqueléticas. Osteoartrite, artrite reumatoide e suas variantes relacionadas (dermatomiosite. arterite temporal), doença de Lyme. fibromialgia e distrofia simpática reflexa foram indicadas como outras possíveis fontes de dores na cabeça e no pescoço
  • Doenças no seio da face (sinusite maxilar, sinusite frontal ou malignidade), doenças oculares (inflamação da íris, glaucoma) ou infecções e inflamações no aparelho auditivo também causam cefaleia. A sensibilidade a toques leves no seio é diagnostica da sinusite, enquanto reduções na visão caracterizam o glaucoma.

Enxaqueca

Na infância, as enxaquecas são distribuídas por igual entre os sexos, embora dois em cada três adultos com enxaqueca sejam mulheres. De acordo com a International Headache Society, há dois tipos de enxaqueca:

  • sem aura (enxaqueca comum)
  • com aura.

A com aura envolve episódios cuja duração varia de 4 a 72 horas, sendo que os sintomas tendem a ser unilaterais, com qualidade de pulsação de intensidade moderada ou grave, que provavelmente seja o resultado de mudanças nos vasos sanguíneos do cérebro. A condição e agravada com as atividades físicas cotidianas e está associada a náuseas, auras, fotofobia e fonofobia.

O segundo tipo, com aura, caracteriza-se por sintomas reversíveis de aura, que, de maneira geral, desenvolvem-se de forma gradativa por mais de quatro minutos, não durando mais de 60 minutos.
Enxaquecas são exacerbadas por distúrbios ou irregularidades no sono

Cefaleias em salvas

As cefaleias em salvas são graves, unilaterais e retro orbitais. Esse tipo é mais comum em homens. Como o próprio nome sugere, as cefaleias em salvas ocorrem em grupos ou salvas, cuja tendência é manifestarem-se em horas previsíveis do dia. Ai cefaleias em salvas também podem desenvolver-se por causa de distúrbios específicos do sono. como apneia do sono.

Em geral são acompanhados por congestão nasal, edema nas pálpebras, rinorreia , miose, lacrimejamento e ptose no lado sintomático. Podem durar de 15 mina 3 horas caso não sejam tratadas.

Ao contrário daqueles que sofrem de enxaqueca, que se veem obrigados a deitar-se durante as crises de cefaleia grave, indivíduos com  cefaleias em salvas sentem-se melhor durante a crise permanecendo na posição ereta e se movimentando lentamente .As cefaleias em salvas aparentemente são causadas por vasodilatação nos ramos da artéria carótida externa, porque tendem a ser disparadas por substâncias vasodilatadoras, como a nitroglicerina e o álcool.


Cefaleia do tipo tensão

O termo cefaleia do tipo tensão foi designado pela International Headache Society para descrever o que se chamava, anteriormente, de cefaleia de tensão, cefaleia de contração muscular, cefaleia psicomiogênica, cefaleia comum e cefaleia psicogênica. A International Headache Society fez distinção entre as variedades episódicas e crônicas do tipo tensão e divide-as em dois grupos: Aquelas associadas a distúrbios dos músculos pericranianos e aquelas não associadas a esse tipo de distúrbio.

As cefaleias do tensão, que constituem até 70% do total e que ocorrem com mais frequência entre mulheres, talvez sejam o resultado de problemas emocionais. Elas têm como característica a dor bilateral de pequena intensidade e não latejante localizada nas áreas frontal e temporal, bem como por espasmos ou hipertônus dos músculos dos músculos do pescoço. Ao contrário das enxaquecas, as cefaleias de tensão costumam ser aliviadas com a atividade física, respondendo de forma satisfatória a técnicas de tração específicas e de tecidos moles.

Cefaleia benigna de exercícios

A cefaleia benigna de exercícios (CBE) foi reconhecida como uma entidade à parte há mais de 70 anos. Suas principais características são:

  • Cefaleia provocada especificamente por exercícios em particular com esforço físico, e pelas manobras de valsalva, tais como as executadas no levantamento de pesos.
  • Bilateral e latejante no início, podendo desenvolver características próprias das enxaquecas em pacientes suscetíveis a esse tipo de incômodo.
  • Duração de cinco minutos a 24 horas.
  • Para evitá-la, basta não fazer exercícios excessivos
  • Não está associada a qualquer distúrbio sistêmico ou intracraniano.

Há evidências suficientes de que o principal diagnóstico diferencial a ser considerado nessa situação seria uma hemorragia subaracnoide, cuja exclusão deve ser feita por meio de investigações adequadas.

Cefaleia induzida por esforço

As cefaleias por esforço são comuns entre atletas. Elas diferem das cefaleias benignas de exercícios no sentido de que não estão, necessariamente, associadas a exercícios que exigem força física e grande esforço. As características clínicas dessa síndrome incluem:

  • O início varia de cefaleia amena a grave nos exercícios aeróbios
  • Maior frequência no calor.
  • Cefaleia do tipo vascular (latejante).
  • Curta durarão (de 4 a 6 horas).
  • Provocada por exercícios máximos ou submáximos
  • O paciente pode apresentar sintomas prodrômicos “do tipo enxaqueca”.
  • Tendência de recaída em indivíduos que fazem exercícios regularmente
  • O paciente tem história anterior de enxaqueca.
  • As investigações e os exames neurológicos são normais.

Cefaleia occiptal

Vários médicos entendem que a cefaleia occiptal é uma dor refletida de distúrbios cervicais, em especial quando a tração cervical reduz de forma temporária a dor.
O mecanismo musculoesquelético subjacente a esse tipo de dor costuma ser estrutural, incluindo hipo ou hipermobilidade cervical, subluxação das articulações e alterações ósseas degenerativas. Posturas, movimentos ou atividades que exercem tensão no pescoço têm sido associadas a ela.

Cefaleia de hipertensão

As cefaleias de hipertensão em geral ocorrem em indivíduos com leituras diastólicas acima de 120 mmHg.

Embora a intensidade destas não esteja, necessariamente, correlacionada com os níveis da pressão arterial. Via de regra, a cefaleia começa no início da manhã, atinge o seu ápice depois de acordar e diminui quando o paciente levanta e começa as atividades diárias. A dor de cabeça é descrita como não localizada, imprecisa e latejante, agravada pelas atividades que elevam a pressão arterial, como curvar o corpo, tossir ou fazer exercícios. A distribuição da cefaleia pode variar e estender-se sobre todo o crânio.

Cefaleia por compressão externa

Essa entidade, anteriormente conhecida como cefaleia dos óculos de natação, se manifesta com dor nas áreas faciais e temporais resultantes do uso de máscaras ou óculos de natação excessivamente apertados. Em geral afeta nadadores e mergulhadores. A etiologia provavelmente está relacionada ao estímulo contínuo dos nervos cutâneos por aplicação  de pressão, embora também haja implicação da neuralgia do nervo supraorbital.

Cefaleia idiopática carotidiana

A cefaleia idiopática carotidiana está associada a dor orbital ou facial unilateral em metade dos pacientes com essa condição. A dor permanece isolada em cerca de 10% dos pacientes, embora, cm geral, ocorra de forma ipsilateral. A cefaleia unilateral típica costuma localizar-se na área frontotemporal, mas, às vezes envolve todo o hemicrânio ou a área occipiral. O início é gradativo, podendo ser também instantâneo ou excruciante, imitando uma hemorragia subaracnoide. A cefaleia é mais comumente descrita como uma dor de pequena intensidade e constante, mas podendo ser, também, latejante e aguda. O intervalo mediano entre o início da dor no pescoço e a aparição de outros sintomas é de duas semanas, enquanto os outros sintomas ocorrem apenas 15 horas depois do início da cefaleia.

Cefaleia diária crônica

Cefaleias diárias crônicas, após traumas na cabeça ou no pescoço, são uma ocorrência comum, com a sua duração não estando relacionada à gravidade ou ao tipo de trauma. Essas cefaleias consistem tipicamente em um grupo de distúrbios que podem ser subclassificados em primários e secundários.

Os distúrbios das cefaleias diárias crônicas primárias incluem enxaqueca transformada, cefaleia crônica do tipo tensão, cefaleia diária persistente e hemicraniana contínua. Esse tipo é definido como de tensão constante, com exacerbações de enxaqueca.

As cefaleias diárias crônicas secundárias incluem distúrbios na coluna cervical, cefaleia associada a distúrbios vasculares e distúrbios intracranianos não vasculares.
Apesar de, na maioria das vezes, desenvolverem-se no decorrer do tempo, a partir de enxaquecas episódicas, as suas causas ainda são controversas. Os indivíduos que sofrem dessa condição muitas vezes também sofrem de cefaleia de rebote. Esse é o pior estágio da dor de cabeça em pessoas com cefaleia crônica. Sua causa principal é o uso frequente e excessivo de analgésicos não narcóticos. Vários estudos demonstraram que, pelo menos, três
quartos dos pacientes com cefaleia diária crônica sofrem de cefaleia de rebote induzida pelo uso de medicamentos. A importância do trauma nas cefaleias diárias crônicas, contudo, pode ser subestimado. As cefaleias de tensão provavelmente dão início a outro tipo de distúrbio em pacientes predispostos devido a algum incidente traumático prévio que tenha sido esquecido.


Cefaleia pós-traumática

Além da dor imediata, após uma lesão na cabeça, a cefaleia traumática, que é mais prolongada e resistente, pode desenvolver-se. Essa condição pode durar semanas, meses ou anos, a exemplo do que ocorre com a enxaqueca ou
com a cefaleia do tipo tensão. Ela pode, também, estar associada à síndrome pós-traumática, que inclui uma variedade de sintomas, como irritabilidade, insônia, ansiedade, convulsões, amnésia, depressão e redução na capacidade de concentração.
As causas mais graves de cefaleia associada ao trauma incluem hematomas subdural, epidural e intracerebral, aneurisma, hemorragia subaracnoide ou contusão cerebral.
O fisioterapeuta deve tentar estabelecer a saúde global do paciente por meio da revisão dos sistemas:

Sistema nervoso. O exame físico do sistema nervoso pode abordar testes sensoriais e motores dos nervos cranianos e espinais, testes de reflexos e exames da marcha, equilíbrio e coordenação. A necessidade desses testes pode ser determinada a presença de sinais e sintomas.

Sistema cardiovascular. Oscilações na pressão arterial estão, muitas vezes, associadas a dores de cabeça.
Sistema endócrino. As cefaleias podem estar associadas a mudanças hormonais e a terapias de reposição hormonal

Sistema musculoesquelético. Os exames devem ser feitos nos segmentos cervicais médio e superior e na articulação temporomandibular. Além disso, um exame postural minucioso deve ser realizado para avaliar desequilíbrios musculares e alinhamento geral. A força e a flexibilidade relativas são avaliadas durante os movimentos dos membros superiores. Finalmente, o fisioterapeuta deve verificar se há pontos-gatilho e a presença de tensões neurais adversas .

Referência
DUTTON Mark Fisioterapia Ortopédica: Exame, Avaliação e Intervenção, 2° ed. Editora Artmed São Paulo, 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário