sexta-feira, 4 de maio de 2012

Bursite Olecraniana



Introdução

A bursa é um tecido especializado localizado nas articulações e proeminências ósseas. Sua função é diminuir o atrito entre osso, tendões, pele e estruturas adjacentes. Na região olecraniana há duas bursas.
A mais profunda localiza-se entre o olécrano e o tendão tricipital. A mais superficial, acometida com mais frequência pelos processos inflamatórios, localiza-se entre a inserção do tendão tricipital no olécrano e a pele. Estudos anatômicos sobre a bursa olecraniana mostram que as bursas não estão presentes antes dos 7 anos de idade e, por isso, a bursite nessa região é pouco comum cm crianças.

Etiologia

A bursite olecraniana pode ter como fator etiológico o trauma. Apoio continuado, trauma agudo ou trau-
mas pequenos de repetição podem causar a inflamação da bursa, Na prática de alguns esportes específicos,
a bursa olecraniana pode apresentar espessamento e processo inflamatório crônico. São lesões por trau-
mas repetidos e sobrecarga.

A bursite inespecífica sem histórico de trauma também pode ocorrer. Ela costuma ser marcada pela presença
de corpos riziformes no interior da bursa, além de derrame e inflamação.

Doenças reumáticas e por depósito de cristais também podem acometer as bursas. Artrite reumatóide, lúpus
e gota são exemplos de doenças que frequentemente causam bursite olecraniana.

A bursite pode ter etiologia infecciosa. A infecção pode ser primária ou secundária ao trauma. Os agentes etiológicos mais frequentes são as bactérias, sendo o estafilococo e o estreptococo os germes mais comuns. Pacientes imunodeprimidos ou renais crônicos que realizam hemodiálise podem ser acometidos por outros agentes, como micobactérias e fungos.

Quadro Clínico e Exames Complementares

A bursite olecraniana caracteriza-se por aumento de volume na região posterior do cotovelo, hiperemia.
hipertermia e dor . A limitação do movimento de flexão pode ser provocada pela dor ou pelo volume excessivo do derrame com bloqueio mecânico. Pode haver secreção purulenta nos quadros infecciosos e saída de material pastoso nos casos de gota.

O exame radiográfico pode evidenciar esporão no ápice do olécrano, relacionado a lesões por sobrecarga em atletas.
A ultra-sonografia confirma a presença de líquido no interior da bursa e pode auxiliar na punção para diagnóstico ou terapia.

A ressonância magnética evidencia bursite e pode mostrar lesões associadas, como corpos riziformes e
alterações articulares. No entanto, a diferenciação entre a bursite asséptica e a infecciosa não é possível. Punção e análise do líquido obtido podem elucidar o diagnóstico. Os quadros sépticos podem apresentar culturas positivas, guiando a terapia medicamentosa adequada. A bursite gotosa é marcada pela presença de cristais de urato no líquido, e a bursite traumática pode apresentar hemorragia nos casos agudos ou líquido amarelo citrino nos casos crônicos.


Tratamento e Complicações

A grande maioria das bursites traumáticas resolve-se com tratamento conservador. Repouso, crioterapia,
anti-inflamatórios e imobilizarão são suficientes para os quadros agudos. Nos casos crônicos, punção com
esvaziamento da bursa associada à infiltração de corticoide pode solucionar o problema.
Os casos de bursite crônica refratários ao tratamento conservador podem ser submetidos a tratamento ci-
rúrgico.

As bursites sépticas bacterianas podem ser tratadas com antibióticos orais, mas muitas vezes necessitam de excisão cirúrgica para sua remissão. Uma opção de tratamento foi sugerida por Knight, que propôs drenagem percutânea aspirativa e infusão de antibiótico contínuo na bursa por meio de cânulas.
A recorrência da bursite mesmo após sua excisão é uma das principais complicações do procedimento cirúrgico.

Outra complicação frequente após a excisão da Bursa é a falha na cicatrização da pele, com secreção contínua e deiscência. Uma maneira de evitar essa complicação é executar a ressecção por via endoscópica.

Referencia

COHEN Moisés, Tratado de Ortopedia. 1° ed, editora Roca, São Paulo,2007.

2 comentários:

  1. eu cai de moto e tive uma bursite olecraniana leve. estou fazendo fiosioterapia.
    eu gostaria de saber se tem cura ?
    eu fazia musculação e boxe e não estou fazendo mais por causa da bursite. queria saber se depois do tratamento vou estar "zerado" e posso voltar a fazer minhas atividades?
    Abraços

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    1. Matheus, não tem como dar um prognóstico sem examinar, mas se realizar o tratamento fisioterápico adequado e realizar exercícios fisicos a chance de retornar suas funções é muito grande, demora um pouco dependendo de sua disponibilidade de tempo para realizar a fisio. abraço

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