quarta-feira, 6 de junho de 2012

Fratura de Colles I


Definição

A fratura de Colles é uma fratura da metáfise distal do rádio, habitualmente ocorrendo 3 a 4 cm da superfície articular com angulação volar do ápice da fratura (deformidade em garfo de prata), deslocamento dorsal do fragmento distal, e encurtamento radial concomitante. Essa fratura pode, ou não, envolver uma fratura do estiloide ulnar .





 

Uma variante intra-articular pode envolver a superfície articular distal do rádio e as articulações radiocarpiana e/ou radioulnar distais.
 
Objetivos do Tratamento

Objetivos Ortopédicos

Alinhamento

O objetivo do alinhamento consiste em manter o comprimento do rádio e inclinação palmar (volar). Para possibilitar uma mecânica funcional do punho, evite mudança de mais de 2 mm na variância ulnar (os comprimentos relativos da ulna e do rádio na superfície articular distal, o que fica determinado numa radiografia
póstero-anterior do punho). Normalmente, o comprimento do rádio estende-se até um ponto ligeiramente distal ao da ulna, denotando variância ulnar negativa.

Observa-se variância ulnar positiva quando a ulna é mais comprida que o rádio na superfície articular distal, o que pode ocorrer em seguida à fratura de Colles, se o rádio encurtar.


 
Estabilidade

O objetivo consiste em proporcionar punho estável e indolor, paia o trabalho e para as atividades da vida diária.

Objetivos da Reabilitação

Amplitude de Movimentos

Restaurar a completa amplitude de movimentos para o punho e dedos 

 
Forço Muscular

1. Aumentar a força dos músculos hipotenar ,tenar ,lumbricais e interôsseos.
2. Aumentar a força dos músculos que cruzam a articulação do punho no nível anterior à lesão; especificamente:

  • Extensores dos dedos
  • Extensor comum dos dedos
  • Extensores longo e curto do polegar
  • Extensor próprio do indicador
    Flexores dos dedos
  • Flexor superficial dos dedos
  • Flexor profundo dos dedos
  • Flexor longo do polegar
  • Ahdutor longo do polegar
  • Flexor ulnar do carpo
  • Flexor radial do carpo
    Extensor ulnar do carpo
  • Extensores radiais longo e curto do carpo

Objetivos Funcionais

Restabelecer a força de preensão, e de pinçamento da mão.

Tempo Espetado para Consolidação Óssea

6 a 8 semanas, até que a fratura fique estável.

Duração Esperada da Reabilitação

12 semanas.

Lesões mais graves, inclusive fraturas intra-articulares e também fraturas expostas, necessitam de mais tempo para consolidação e reabilitação.

Métodos de Tratamento

Aparelho de Gesso

Biomecânica: Dispositivo de compartilhamento de carga.
Modo de Consolidação Óssea: Secundário, com formação de calo.
Indicações: A redução fechada e aplicação do aparelho proporcionam o tratamento da fratura, sem necessidade de fixação cirúrgica. Essa opção fica indicada para pacientes com fraturas sem deslocamento, ou minimamente deslocadas sem muita cominuição.

Radiografias obtidas depois da redução devem revelar restauração da inclinação palmar e do comprimento do rádio. Em geral, pacientes com mais de 60 anos de idade podem ser submetidos a tratamento com aparelho de gesso curto para o braço, a fim de evitar rigidez do cotovelo.

Todos os demais pacientes receberão um aparelho de gesso longo durante as primeiras 3 a 6 semanas, seguindo-se a aplicação de aparelho curto. Aparelhos de gesso longo dão maior sustentação a fraturas cominutivas instáveis, e proporcionam controle rotacional e melhor controle da dor.
Fraturas sem deslocamento podem ser tratadas com aparelho de gesso curto

Fixador Externo

Dispositivo de compartilhamento de estresse (mais rígido e, portanto, mais protetor que um aparelho de gesso).
Modo de Consolidação Óssea: Secundário, com formação de calo.

Indicações: O fixador externo é útil para fraturas cominutivas, com desvio, ou expostas que não podem ser tratadas com redução fechada ou fixação interna.
Ocasionalmente, pode ser tentada a pinagem percutânea ou fixação interna, como adjuvantes à fixação externa.

 
Redução Aberta e Fixação Interna (Placas ou Pinos Percutâneos)

Biomecânica: Dispositivo de proteção contra sobrecarga para a fixação por placa, e dispositivo de compartilhamento de carga para a fixação por pino.
Modo de Consolidação Óssea: Primário, quando é obtida fixação sólida com a placa, o que promove a não formação de calo. Secundário, quando não é conseguida fixação sólida, ou se foram usados pinos percutâneos
Indicações: Esse método é basicamente indicado para fraturas articulares com deslocamento. Em geral, é recomendável a aplicação de aparelho de gesso depois da cirurgia durante 2 a 6 semanas, dependendo da estabilidade da fixação.

Considerações Especiais da Fratura

Idade

Pacientes idosos apresentam risco maior para desenvolvimento de rigidez articular, secundariamente à fratura e ao seu tratamento. A osteoporose em pacientes idosos, juntamente com uma queda sobre a mão espalmada, torna essas pessoas mais suscetíveis a esse ripo de fratura.

Envolvimento Articular

Pacientes com envolvimento das articulações radioulnares distais e com encurtamento do rádio comumente terminam com menos força de preensão, menor amplitude de movimentos em supinação, e dificuldade de escrever, secundariamente à diminuição do desvio ulnar.

Lesões Associadas

Tendões

Pode ocorrer ruptura do extensor longo do polegar, e formação de aderências peritendinosas dos compartimentos flexor e extensor. Especula-se que a isquemia do tendão, decorrente do edema ocorrente no interior dos estreitos limites do retináculo extensor, resulta em ruptura do extensor longo do polegar.

Nervos

São lesões nervosas a contusão do nervo medial, resultando na ocorrência da forma aguda da síndrome do túnel do carpo. 
 
A forma tardia dessa síndrome pode ser observada secundariamente a deformidade residual. A lesão nervosa pode ser decorrente da hiperextensão forçada por ocasião da lesão, traumatismo direto causado por fragmentos da fratura, edema, ou síndrome do compartimento, ou pode ser iatrogênica. Pode ocorrer aprisionamento do nervo ulnar no canal de Guyon, mas essa complicação é incomum.

Lesões Abertas

Podem ocorrer lacerações de tendões, bem como do feixe neurovascular. Essas são lesões incomuns,

Osso

O processo estilóide ulnar pode também sofrer fratura, causando dor na região diretamente sobre o processo.

Sustentação do Peso

A extremidade envolvida não deve sustentar peso. O paciente deve evitar a sustentação do peso do corpo, ao usar um aparelho ambulador ou bengala, ou durante o impulso para levantar-se da cama ou da cadeira.

Marcha

O papel da oscilação do braço, como modo de equilíbrio e força estabilizadora, pode ficar afetado pelo braço lesionado; talvez não seja possível a oscilação in tandem com o braço do outro lado.


MURTHY L.;HOPPENFELD S. Tratamento e Reabilitação de Fraturas, Ed. Manole, São Paulo,2001

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