sábado, 2 de junho de 2012

Posicionamento do Corpo no Tratamento com Terapia Manual


Biomecânica corporal não é somente o segredo para proteger a integridade do corpo, mas também é crucial para que a terapia seja eficiente. Ela consiste no uso do bom senso, no que diz respeito ao posicionamento e ao movimento do peso em relação à gravidade.

Os pacientes sempre perguntam: "Você não fica cansado?" ou "As suas mãos não doem?" Se o terapeuta utilizou a biomecânica corporal adequada, a resposta será negativa.

A abordagem da mecânica corporal, embora existam elementos que se concentrem em áreas reduzidas, deve levar em consideração todo o organismo, desde a atitude emocional até a posição das articulações do polegar.

O peso e a gravidade são as considerações mais importantes nessa mecânica.
Os bailarinos, por exemplo, precisam reaprender sua relação com ela. O mesmo deve ocorrer com o massoterapeuta, porque o trabalho é baseado principalmente na aplicação da pressão, que é melhor aplicada quando imposta pelo peso do corpo. Portanto, o primeiro princípio da biomecânica corporal é:

Use o peso do corpo, não a força muscular, para aplicar a pressão.

Usar o peso do corpo requer menos trabalho.
Usar a força muscular para aplicar pressão na massoterapia cansa rapidamente, principalmente os músculos locais. Além disso, o peso impõe uma pressão mais uniforme e sem tensão do que a força muscular. Quando os músculos mantêm a contração, mesmo que por períodos curtos, o processo de
recrutamento e exaustão do tecido resulta em uma pressão desigual, que comunica uma sensação de tensão para o paciente.

Ao usar o peso do corpo para aplicar pressão na terapia, essa estabilização torna-se um elemento-chave do processo geral. Portanto:

Mantenha as articulações por meio das quais o peso é transmitido relativamente retas (mas não travadas) e evite a sua hiperextensão

Se o peso for aplicado por articulações travadas, o efeito será de rigidez total, como um bastão.
Embora a pressão propriamente dita deva ser exercida pelo peso do corpo, as articulações devem reter a "suavidade" imposta pela estabilização muscular, em vez de serem mecanicamente travadas em uma posição.

A hiperextensão força tanto a articulação como os tecidos moles que a suportam e estabilizam. O uso da força muscular na flexão de uma articulação força os músculos e transmite a tensão.

 Deixe seu peso ser transferido por meio do máximo possível de articulações, em uma linha relativamente reta.

O peso deve estar alinhado com as articulações. Embora o ponto que aplica a pressão seja geralmente alguma parte da mão ou do antebraço, o peso apoiado no corpo do paciente é o do tronco do terapeuta. Alinhando as articulações entre o tronco e o ponto de pressão, é possível maximizar a estabilidade e a "suavidade" da pressão. Uma vez que a articulação do ombro é a principal na transmissão do peso do tronco para o braço e para a mão,

Mantenha a escápula (articulação glenoumeral) voltada para baixo.

Se essa articulação estiver voltada para cima, o peso do tronco terá de ser transmitido pelo braço indiretamente, empurrando-o para baixo na articulação. Quando a articulação glenoumeral é voltada para baixo, o tronco se encontra acima e atrás dela e transmite o peso diretamente através das articulações.

Apoie sempre que possível a parte do corpo que está aplicando a pressão.

Apoiar o polegar ou as pontas dos dedos de uma mão sobre a outra tem dois efeitos. Primeiro, aumenta a pressão em potencial, e segundo, estabiliza as articulações envolvidas para proteger as mãos da tensão do tecido.

Sempre que usar os músculos para força, estabilização ou movimento, empregue os maiores e mais fortes ao invés dos menores e mais fracos.

Controle o centro de gravidade com as pernas; deixe o movimento partir do centro de gravidade e das pernas, não dos braços

A utilização das pernas para controlar o posicionamento e o movimento do peso evoca uma questão importante: as pernas devem estar sempre equilibradas sob o centro de gravidade, ou o centro de gravidade deve ficar entre as pernas do terapeuta e o corpo do paciente? Ou seja, é admissível trabalhar fora do equilíbrio e permitir que o corpo do paciente suporte o peso
do tronco do terapeuta? As opiniões de profissionais qualificados variam muito em relação a essa questão.

Frequentemente o peso do tronco pode ser suportado pelo corpo do paciente. Essa prática é intuitiva. O maior perigo, obviamente, está na possibilidade de perder o equilíbrio .

Esse risco é provavelmente maior quando o terapeuta é inexperiente e ainda não aprendeu as sutilezas da biomecânica corporal ou as qualidades da pele (textura, umidade, etc), que afetam a habilidade de trabalhar seguramente
dessa maneira.
 
As vezes, é vantajoso trabalhar de baixo para cima no corpo do paciente, usando o peso dele e não o seu para aplicar a pressão. Esse posicionamento é freqüentemente eficaz para se trabalhar, mas deve ser usado com cuidado
porque o controle da biomecânica corporal é mais difícil.

Por exemplo, quando exercitar o pescoço de um paciente em decúbito dorsal, usando o método de baixo para cima, deve-se tomar o cuidado de não hiperestender o polegar. Quando trabalhar no abdómen ou na pelve de um paciente em decúbito ventral, o mesmo cuidado deve ser tomado com os dedos. Uma vez que mais músculos são usados nessas posições para aplicar
a força, e que os músculos menores estabilizam as articulações, esse exercício não deve ser realizado por um período prolongado. Além disso, é necessário estar ainda mais consciente das sensações de dor e fadiga em suas mãos.
Às vezes, é vantajoso deixar o próprio peso gerar a força, por meio de uma parte do corpo que não seja o ombro.

Por exemplo, pode-se acomodar o cotovelo na fossa ilíaca (no interior da região anterior da pelve) e inclinar-se sobre ele para transmitir a força quando estiver trabalhando em uma área lateral do corpo do paciente

Inicie e conclua lentamente a pressão.

O movimento lento é mais suave e menos irritante para os tecidos do paciente (e para os do terapeuta). Iniciando e concluindo lentamente a pressão é possível também monitorar o feedback tanto do corpo do terapeuta como do corpo do paciente. Se não se pretende realizar um trabalho puramente mecânico, é essencial que se concentre nos tecidos que estão sendo trabalhados e que se exerça ou libere a pressão sobre eles. Além disso, os tecidos sensíveis (principalmente os músculos da região lombar) são frequentemente submetidos à dor de retrocesso.
A liberação repentina da pressão pode ser dolorosa.

Por fim, preste atenção no seu corpo, onheça-o e utilize sua biomecânica corporal.

CLAY H JAMES; POUNDS M DAVID, Massoterapia Clínica: Integrando Anatomia e Tratamento, 1/ ed, Editora Manole, São Paulo,2003.

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